O trabalho com o Projeto de Vida em tempos de pandemia

10 de julho, 2020 - Por e-docente

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Em decorrência da pandemia de Covid-19, que resultou no isolamento social como medida para minimizar a propagação do vírus, escolas de diferentes redes do país foram fechadas, e o ensino, antes realizado de modo presencial, passou a ocorrer mediado pelo uso de diferentes tecnologias. Essa situação impôs aos educadores a necessidade de redobrar a atenção sobre o tipo e a quantidade das atividades propostas aos estudantes.

Se, por um lado, é importante a manutenção do processo de ensino e aprendizagem, por outro, é imprescindível garantir que todos os estudantes tenham acesso às informações e conteúdos que compõem o processo educativo no contexto atual.

Considerando que a situação de ensino em formato não presencial é uma novidade para professores e estudantes da educação básica, vale destacar a relevância de um cuidado especial com o planejamento das atividades realizadas remotamente a fim de evitar desconforto, dificuldade ou desmotivação no processo de estudo. Destaco, a seguir, alguns desses cuidados:

 

  1. Atividades propostas

A aula não presencial e/ou mediada por tecnologia pode se tornar cansativa e desestimulante em razão de fatores como condições de saúde física e emocional dos estudantes, quantidade de atividades e questões de infraestrutura e acesso. Na sala de aula  presencial o professor dispõe de elementos que lhe permitem acompanhar como os estudantes realizam as atividades e esclarecer as dúvidas que surgem no decorrer do processo. Na aula mediada por tecnologia, apesar da interatividade ser possível e haver maior nível de autonomia intelectual ─ no caso dos estudantes do Ensino Médio ─, acompanhar o percurso de aprendizagem pode ser mais desafiador para o professor. Assim, vale priorizar as atividades que se mostrem essenciais.

 

  1. Conteúdos

Não há como negar a importância dos conteúdos, mas nas circunstâncias atuais é preciso adaptá-los e contextualizá-los. Os estudantes estão em situação de convivência familiar intensa em circunstâncias, algumas vezes, desconhecidas pela escola. Problematizar os conteúdos e, sempre que possível, acolher e promover oportunidades para o diálogo e a interação com os colegas são atitudes relevantes.

Bertrand Russell, certa vez ao escrever sobre as funções de um professor, destacou que cabe a esse profissional evitar que os estudantes consolidem narrativas unárias, ou seja, que permitam que uma história seja contada de um único modo, pois nisto reside a fundamentação de todos os dogmatismos. De igual modo, é importante evitar aos estudantes a construção de narrativas binárias, porque estas fomentam o extremismo e exigem a escolha por um lado da história. Assim, o autor alerta para um trabalho que favoreça a construção de narrativas multivariadas que ampliem as possibilidades de compreensão do estudante sobre o mundo.

 

  1. Orientação aos pais

A participação ativa dos pais no processo de escolarização dos estudantes resulta em inúmeros benefícios ao processo de aprendizagem. Contudo, o alcance desses benefícios pressupõe estreitar laços com as famílias para que orientações sobre como apoiar os filhos, sem realizar as atividades por eles, sejam fornecidas de modo claro e objetivo. Estimule as famílias a dialogar com os estudantes, demonstrando genuíno interesse pelo que eles aprendem na escola.

 

  1. Saúde mental

A situação de isolamento social provocada pela pandemia de Covid-19 mexe com as emoções das pessoas e coloca em evidência a necessidade de se reforçar os cuidados com a saúde mental. Dialogar sobre esse assunto com os estudantes é uma boa maneira de permitir a expressão das emoções e dos sentimentos. Uma escuta acolhedora pode contribuir para a superação das dificuldades existentes nesse momento, além de promover uma educação humanizada, integral e focada em não deixar nenhum estudante para trás.

 

A partir dos aspectos elencados, as atividades aqui sugeridas foram planejadas com a intenção de:

  • Ser realizadas de modo não presencial;
  • Abordar as competências socioemocionais;
  • Envolver o diálogo e a participação com a família;
  • Explorar aspectos da saúde mental;
  • Trabalhar a temática do Projeto de Vida dos estudantes do Ensino Médio.

 

Bom trabalho!

 

Itale Cericato

Psicóloga, mestre em Psicologia e doutora em Psicologia da Educação. É docente na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) onde orienta pesquisas no Programa de Pós-graduação em Educação que versam sobre a formação de professores e os processos de desenvolvimento e aprendizagem promovidos pela escola.

Foi professora da Educação Básica nas redes pública e particular de São Paulo.

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