Ideias para a manutenção de vínculo durante o distanciamento social – atividades offline

22 de outubro, 2020 - Por e-docente

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Quando as aulas presenciais foram canceladas em março de 2020, em decorrência da pandemia de COVID19, poucos poderiam supor que somaríamos tantos dias sem o contato face a face.

Entre as inúmeras opções adotadas pelas escolas em todo Brasil, tivemos as aulas online, ao vivo ou gravadas, ou ainda as teleaulas transmitidas por redes de televisão e até mesmo via rádio.

Mas o que fazer em relação àquela população sem acesso à internet? E quanto àqueles alunos afetados por vulnerabilidades sociais ou econômicas, que não contam com apoio ou infraestrutura para permanecer estudando? O que fazer para envolver os estudantes que não conseguiram manter o aprendizado por meios digitais?

Um dos grandes fatores que motivam a permanência do aluno é justamente os vínculos estabelecidos. Conforme o estudo de Camargo (2011), “[…] há necessidade, por parte dos educadores, de refletirem, não somente sobre o ensino dos conteúdos escolares, mas também sobre a relevância dos aspectos afetivos na vida escolar dos alunos.”

Por isso, o texto de hoje se propõe a trazer 4 estratégias/atividades práticas e processos educativos que podem ser implementadas rapidamente, com o objetivo de fortalecer o vínculo desses alunos entre si e com o professor, de modo a reaproximá-los, tanto no caso de uma retomada das aulas em breve, como no caso do não-retorno imediato à escola presencialmente.

ATIVIDADE 1: Será verdade?

Nessa atividade, o professor que envia materiais impressos para retirada na escola inclui uma folha onde aparecerão afirmações que precisam ser confirmadas como verdadeiras ou falsas. Os assuntos podem ser variados, mas lembre-se: quanto mais se aproximarem da realidade dos alunos, mais eles vão gostar de participar e contribuir com a investigação se isso é verdade ou não.

São exemplos de afirmações:

Será verdade?
19 alunos do 6ºB torcem para o Corinthians.
5 alunos do 6º B têm 13 anos.
10 alunos do 6ºB sabem cantar uma música do cantor XXXXX.

Nessa folha, cada aluno responderá um pequeno questionário para verificar a veracidade dessas proposições e retornará suas respostas à escola.

O professor tabulará os resultados para enviá-los em uma próxima remessa de materiais impressos, quando os alunos finalmente descobrirão quais afirmações correspondem à realidade da sua classe. Enquanto isso, ficará a pergunta: “será verdade?”.

ATIVIDADE 2: Adivinha quem é

Nessa atividade, o professor que conhece seus alunos terá uma ótima oportunidade de demonstrar essa proximidade. Será uma forma de cada um sentir-se notado e querido, estimulando sua autoestima e fortalecendo o vínculo com o professor. Ao mesmo tempo, essa atividade pode aguçar a curiosidade dos estudantes, sendo um fator de interesse para buscar os materiais impressos e devolvê-los periodicamente, conforme a orientação da escola.

No “adivinha quem é”, o professor menciona um fato ou uma curiosidade sobre cada aluno da sala, sem mencionar o seu nome. Cada aluno que receber essa folha vai tentar adivinhar o nome do colega de classe que se associa àquela informação. Deve também reconhecer-se, adivinhando qual informação diz respeito a si mesmo.

É possível revelar o nome dos alunos em uma próxima remessa de atividades impressas, ou mesmo enviar as respostas anexadas para que os próprios alunos verifiquem suas respostas e seu índice de bons palpites.

São exemplos de adivinhações que podem conter essa atividade:

Adivinha quem é:
Tem um cachorrinho chamado Pelé: __________________
Tem uma irmã chamada Luana: ______________________
Gosta de fazer dancinhas do Tiktok: ___________________
Usa um boné azul todos os dias: ______________________
Sabe andar de skate: _______________________________

ATIVIDADE 3: Era Uma Vez

Essa atividade se constitui em escrever uma história coletivamente. Ela foi inspirada no processo de jogar partidas de xadrez por correspondência. Você já ouviu falar dessa modalidade? Nela, os jogadores que moram a grandes distâncias podem manter uma partida por meses, movimentando suas peças e reportando esse movimento por cartas, aguardando a resposta do oponente e seguindo com sua próxima jogada na carta seguinte. Imagine a ansiedade pelas cartas e a paciência necessária!

Para nossos alunos, faremos algo mais simples e rápido. A ideia é que cada aluno receba o início de uma história para que dê continuidade a ela segundo sua imaginação.

Na próxima remessa de atividades, outro aluno receberá esse início e continuará a história. Finalmente, na remessa seguinte, o terceiro aluno a receber essa história concluirá a narrativa.

Uma ótima ideia é compartilhar todos os pequenos textos que resultarem dessas ações, para que todos possam se divertir e até mesmo se surpreender – afinal, frequentemente quem escreveu um trecho da história não imagina como ela vai ser continuada! 

São sugestões para a atividade “Era uma vez”:

 

Exemplos de começar uma história:

– Era uma vez…

– Certa vez aconteceu comigo uma coisa que ninguém acredita. Foi assim…

– Há muito tempo atrás…

 

Exemplos de como desenvolver uma história:

– De repente…

– Enquanto isso…

– Depois disso…

 

Exemplos de como terminar uma história: 

– Foi assim que…

– Finalmente aconteceu o que ninguém imaginava.

– Então…

 

ATIVIDADE 4: Escudo do Poder

Nessa atividade, o estudante receberá um escudo impresso em folha de papel A4, juntamente com as atividades ligadas ao conteúdo pedagógico. Esse escudo faz parte das atividades de vínculo com a escola e de acolhimento socioemocional. O aluno receberá instruções para preencher esse escudo com as informações requisitadas e será levado a refletir a respeito de elementos que o fortalecem e o protegem, como verdadeiros escudos.

Acredito que essa também pode ser uma atividade para o momento da retomada das aulas, em que a empatia e a escuta ativa serão mais importantes do que nunca, para redesenharmos os rumos da educação pós-pandemia.

Segue um exemplo de escudo para ser preenchido pelos alunos:

Essas são algumas ideias para envolvermos aqueles alunos que mais precisam de nós nesse momento. Que os estudantes possam perceber na nossa prática o quanto acreditamos na melhoria da educação e o quanto estudar vale a pena!

Leia também: Ideias para manutenção de vínculo (online)

 

Karina Bojczuk

Formada em Letras pela USP, Karina é especialista em Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem pela PUC e entusiasta das neurociências aplicadas à Educação e do Futuro do Trabalho. 

REFERÊNCIAS 

CAMARGO, P. S. A. S. Reflexões sobre afetividade, educação de jovens e adultos – EJA e a teoria das representações sociais: influências no processo de ensino-aprendizagem. X Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, Curitiba – PR., 2011. Disponível em: <http://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/5446_3710.pdf>. Acesso em: 10 out. 2020.

Relatório da Pesquisa “Educação, Docência e a Covid-19”. Programa USP Cidades Globais. Disponível em: <http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/pesquisa-educacao-docencia-e-a-covid-19> Acesso em: 10 out. 2020.

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