Como contemplar o Projeto de Vida dos estudantes no Ensino Médio

12 de Maio, 2020 - Por e-docente

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O Projeto de Vida no Ensino Médio se fundamenta em vários documentos oficiais. O primeiro é a Lei no 13.415/2017 (conhecida como a Lei do Novo Ensino Médio) a qual prevê que os currículos escolares devem considerar a formação integral do aluno e coloca o Projeto de Vida como conteúdo obrigatório. O segundo é a BNCC que, dentre dez competências gerais para a Educação Básica previstas, destaca nas competências gerais 6 e 7, a oportunidade para que os alunos construam planos futuros articulados ao mundo do trabalho e saibam argumentar, em contexto escolar e fora dele, para defender e negociar ideias, posicionando-se crítica e eticamente.  As Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, publicadas em novembro de 2019, apresentam o Projeto de Vida como premissa básica para o desenvolvimento juvenil na medida em que o articulam com a preparação para atuação cidadã no mundo do trabalho e na vida pessoal.

Mosaico sobre as 10 competências gerais da Educação Básica na BNCC

 

Os Itinerários formativos para o Ensino Médio atribuem centralidade ao Projeto de Vida ao estabelecer que esse nível de ensino se oriente pelos interesses e pelas potencialidades de cada aluno, favorecendo o autoconhecimento e o aprendizado sobre traçar metas e empreender ações e estratégias para alcançá-las. O Guia de implementação do novo Ensino Médio, publicado em dezembro de 2019, apresenta o Projeto de Vida como eixo central ao visar ao desenvolvimento de jovens autônomos e protagonistas das próprias histórias de vida. Em resumo, os documentos citados se articulam na intenção de formar jovens capazes de tomar decisões, fazer escolhas, traçar e executar planos relacionados ao futuro, possuindo habilidades e competências relacionadas ao aprendizado socioemocional, ainda mais evidenciado em cenários de crise como a que passa a humanidade.

Mas como organizar a ação pedagógica para atingir tais objetivos?

De modo prático, é importante que o trabalho com Projeto de Vida se dê ao longo de todo o Ensino Médio, pois esse componente tem potencial para fomentar que escolhas relacionadas ao percurso formativo ocorram de modo assertivo, ajudando os alunos a direcionar seus interesses e engajar-se em suas escolhas.

O trabalho deve, ainda, considerar três dimensões formativas: a dimensão do autoconhecimento, que contribui para o conhecimento de si; a dimensão do outro, que envolve o reconhecimento do mundo e qual lugar se ocupa nele; e a dimensão do planejamento, que diz respeito ao encontro com um futuro factível, ou seja, o empreender ações que façam o jovem sair do plano das ideias e caminhar rumo à proposição de ações efetivas que lhe garantam melhores condições de vida respeitando valores éticos e de coletividade.

Para trabalhar essas três dimensões, algumas ações são essenciais:

Elaboração da autora

Por fim, o professor que trabalha com Projeto de Vida deve ter uma visão positiva sobre o futuro e estar disposto a auxiliar os jovens a desenvolver postura semelhante.

A escola tem muito a contribuir com o projeto de vida juvenil na medida em que é um espaço privilegiado para reflexões intencionais e sistematizadas, mediadas por profissionais especialistas em processos de ensino e de aprendizagem. O trabalho com essa temática pode acolher os anseios da juventude por uma escola que lhes faça sentido. Além disso, pode também contribuir para que os jovens enfrentem os desafios das sociedades contemporâneas a partir de um orientador consistente.

Para saber mais sobre essa temática, acompanhe o portal edocente e fique atento para as dicas que publicarei quinzenalmente. Você encontrará sugestões de propostas didáticas a respeito do Projeto de Vida, para serem trabalhadas, de forma remota, com os alunos do ensino médio.

Itale Cericato

Psicóloga, mestre em Psicologia e doutora em Psicologia da Educação. É docente na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) onde orienta pesquisas no Programa de Pós-graduação em Educação.

Pesquisa a formação de professores e os processos de desenvolvimento e aprendizagem promovidos pela escola.

Foi professora da Educação Básica nas redes pública e particular de São Paulo.

 

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